Há cada vez mais cidadãos estrangeiros a pedir crédito para comprar casa em Portugal. E são os brasileiros que estão a liderar os pedidos de crédito à habitação, representando 38% dos estrangeiros que apresentaram estes pedidos em 2024, segundo dados do Banco de Portugal (BdP), cita o idealista.

"Em 2024, foram celebrados 90 mil contratos de crédito à habitação permanente, mais 32% do que em 2023, envolvendo 138 mil pessoas", concluiu o BdP no boletim estatístico recentemente publicado . Indicou ainda que 10,1% das pessoas que contraíram crédito à habitação eram de nacionalidade estrangeira, o que representa um aumento face ao total de 9,84% registado no ano anterior.

Os brasileiros destacaram-se como a principal nacionalidade estrangeira a obter crédito à habitação em Portugal, representando 38% do total de estrangeiros (mais 2 pontos percentuais face a 2023). A maioria destas famílias brasileiras tem até 45 anos, possui formação superior e é empregada por conta de outrem. Nesta análise pelo número de estrangeiros que solicitaram crédito à habitação, os angolanos aparecem em segundo lugar, seguidos dos britânicos.

Considerando os valores contratados pelos estrangeiros para comprar casa com financiamento bancário, os brasileiros representam 30% do total (tendo aumentado face ao ano anterior, quando representavam 28%), seguidos dos britânicos (7%), norte-americanos (6%), franceses (5%) e italianos (5%).

O BdP analisou ainda o crédito à habitação concedido para outros fins, como a aquisição, construção ou realização de obras em habitações secundárias ou o arrendamento e aquisição de terrenos para construção de habitação.

E concluiu que "30% dos devedores de outros empréstimos à habitação contraídos em 2024 eram estrangeiros, sobretudo do Brasil, dos EUA e de Angola (15%, 14% e 13%, respetivamente). Considerando apenas os devedores estrangeiros que residiam fora de Portugal, este valor desce para 23%".

"Os devedores estrangeiros foram responsáveis por 45% do montante total do outro crédito à habitação contratado", menos do que em 2023 (50%), refere ainda o regulador português liderado por Mário Centeno.