A assinatura do memorando entre a ANJE e a SDCI - Strategic Deals Company for Investment, que permitirá a criação da ANJE Saudi Arabia, é exatamente um desses momentos. Não é apenas mais um protocolo. É a materialização de um caminho que vem a ser construído com persistência, confiança e visão de longo prazo entre Portugal e a Arábia Saudita.
A cerimónia vai se realizar hoje dia 22 de janeiro no Porto, e acontece no contexto da terceira visita oficial de uma delegação de empresários sauditas a Portugal, promovida pelo Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal sobre a liderança do seu Presidente do lado Português Abilio da Alagoa Silva e da parte saudita do seu Presidente o bem-sucedido Empresário Alwalid Albaltan.
Mas, desta vez, sente-se claramente uma diferença de maturidade. Já não estamos na fase do reconhecimento mútuo ou do apalpar terreno inicial. Estamos numa fase de estruturação comercial e económica entre os dois países, onde se criam plataformas permanentes para apoiar empresas, empreendedores e projetos concretos.

A futura ANJE Saudi Arabia nasce com uma ambição clara: apoiar o empreendedorismo, a inovação e a internacionalização das empresas portuguesas no mercado saudita, através de missões empresariais bilaterais, programas de inovação e uma presença local que faz toda a diferença num mercado onde o acesso institucional, o conhecimento do terreno e a confiança pessoal são determinantes. É precisamente aqui que esta iniciativa ganha especial relevância.
Tenho acompanhado de perto, e desde o início desta iniciativa em janeiro de 2025 o esforço contínuo de aproximação entre os dois países e não posso deixar de destacar o papel do meu Amigo Alwalid Albaltan, presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal e acionista de referência da SDCI. Porque para além do cargo, há uma dedicação genuína dele por Portugal, uma curiosidade constante pelo nosso tecido empresarial e uma vontade real de criar oportunidades concretas e sustentáveis. Ao longo de várias conversas que tive com ele quando estive em Riyadh e em Oeiras no ano passado, tornou-se claro para mim que esta relação ultrapassa o plano institucional. É construída com base em respeito mútuo, afinidade pessoal e uma visão partilhada sobre o que pode ser feito em conjunto.
Do lado português, a ANJE dá aqui um passo estratégico relevante, porque esta iniciativa reforça o posicionamento internacional da associação e cria mais uma via para que empresas nacionais se aproximem de um dos mercados mais dinâmicos do mundo, alinhado com a Vision 2030.

O que me parece verdadeiramente relevante neste momento não é apenas o potencial económico imediato, mas a coerência de uma visão de longo prazo que agora começa a materializar-se. A criação da ANJE Saudi Arabia representa uma mudança clara de paradigma: deixa-se para trás a lógica de iniciativas pontuais e avança-se para a construção de uma infraestrutura relacional e operacional duradoura, capaz de reduzir riscos, acelerar processos e aproximar culturas empresariais. Para Portugal, é mais um passo consistente numa estratégia de afirmação internacional assente em confiança e credibilidade. Para a Arábia Saudita, é a abertura a talento, inovação e parceiros fiáveis, com vontade real de construir em conjunto.
Importa, no entanto, lembrar que estas pontes não surgem do nada nem se constroem de um dia para o outro. São o resultado de desforço e de presença, persistência e paixão pela causa. Muito antes de qualquer enquadramento público ou iniciativa institucional, foi no seio da Câmara de Comércio Luso-Árabe, então presidida por Luís Filipe Menezes, e através do trabalho incansável de Abílio Alagôa da Silva, que empresários e decisores começaram a reunir-se, a trocar ideias e a explorar, como está no nosso ADN, novos horizontes e novas oportunidades. Foi aí que se lançou o ponto de partida. O que hoje vemos ganhar forma institucional é, acima de tudo, a continuidade natural desse esforço pioneiro, feito de relações humanas, visão estratégica e uma profunda crença no potencial de Portugal no mundo.








